Consultório e carreira

Quanto cobrar por sessão de psicologia: a tabela, a conta e o valor social

O que existe de referência oficial, uma conta simples para chegar no seu número e onde o Código de Ética traça a linha quando o assunto é cobrar menos.

📅 Atualizado em outubro de 2026 ⏱ 10 min de leitura ✍ Equipe Psicoly

Sexta, fim da tarde. Chega no WhatsApp: “Oi, queria saber o valor da sessão”. Você olha para a tela um tempo. Lembra do que a colega da supervisão cobra, do que a clínica onde você estagiou praticava, do aluguel da sala que vence dia 10. E responde um número meio no chute, torcendo para a pessoa não sumir. Quase todo mundo já fez isso. Este texto é para parar de chutar: o que existe de referência oficial, como fazer a conta de quanto cobrar por sessão de psicologia a partir dos seus custos e onde entra, e onde não entra, o tal valor social.

Aviso logo: não existe “o valor certo”. Existe o valor que fecha a sua conta e que você consegue sustentar sem ressentimento daqui a dois anos. Dá pra chegar nele com papel e caneta.

Existe tabela de honorários de psicologia?

Sim: a Tabela de Referência Nacional de Honorários dos Psicólogos, publicada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e pela Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi), com elaboração do DIEESE e reajuste anual pelo INPC do IBGE. Ela é referência, não piso nem teto — o CRP-MT descreve a tabela como de “caráter orientativo, não obrigatório”.

Para psicoterapia individual, estes são os números das duas versões disponíveis em outubro de 2026:

VersãoLimite inferiorMédiaLimite superior
Vigência 1º/7/2025 (PDF linkado pelo CFP)R$ 225,58R$ 326,61R$ 386,72
Vigência 1º/7/2026 (PDF publicado pela Fenapsi)R$ 235,34R$ 340,74R$ 403,45

Por que duas? Porque, quando conferimos, a página de serviços do CFP ainda apontava para a tabela de julho de 2025, enquanto a Fenapsi já publicava o arquivo com valores corrigidos pelo INPC até junho de 2026. Os números da segunda são os da primeira com a inflação do período. Se for usar a tabela num contrato ou numa negociação, abra os dois links e veja qual está valendo no dia.

A tabela tem dezenas de procedimentos. Alguns que aparecem no dia a dia do consultório, pela versão de julho de 2026:

Opinião sincera: a tabela funciona melhor como régua do que como etiqueta. Se o seu valor hoje está abaixo do limite inferior, você não está fazendo nada de errado; ela não obriga ninguém. Mas saber que a referência nacional para psicoterapia individual começa em R$ 235 ajuda muito na hora de avaliar proposta de clínica, de plataforma ou de “parceria” que paga uma fração disso.

O que o Código de Ética diz sobre honorários

O Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005) não fixa valor; ele trata de como o valor é definido e combinado. O art. 4º diz que, ao fixar a remuneração, o psicólogo leva em conta a justa retribuição e as condições do usuário, estipula o valor conforme a atividade e o comunica antes do início do trabalho, e assegura a qualidade do serviço independentemente do valor acordado.

Na prática, isso vira três regras de bolso:

  1. Combine antes. Valor, forma de pagamento, o que acontece quando o paciente falta, como funciona o reajuste. Tudo isso na primeira conversa, de preferência por escrito. Surpresa na terceira sessão é exatamente o que o art. 4º quer evitar. (Sobre faltas, escrevemos um guia à parte: paciente faltou na terapia: política de faltas e cobrança.)
  2. Valor menor não é sessão menor. Mesmo tempo, mesmo cuidado, mesmo registro no prontuário.
  3. Nada além dos honorários. O art. 2º veda receber comissões ou vantagens além dos honorários contratados (alínea “o”) e receber ou pagar porcentagem por encaminhamento (alínea “p”). Aquela “parceria” em que alguém te manda pacientes em troca de um percentual por sessão cai aqui.

Como calcular quanto cobrar por sessão de psicologia

Para calcular o valor da sessão, some o que você precisa tirar por mês aos custos fixos, acrescente a reserva para impostos e divida pelo número de sessões que você realmente recebe — não pelo número de horários que cabem na agenda. É essa última parte que quase todo mundo erra.

  1. Custos fixos do mês. Sala (aluguel ou sublocação por hora), anuidade do CRP dividida por 12, contador se tiver, sistema, internet e telefone, supervisão, material. Inclua o que é “seu” e costuma ficar de fora: terapia pessoal, cursos, livros.
  2. Retirada. Quanto precisa cair na sua conta pessoal, já limpo.
  3. Impostos. Depende do regime. Como pessoa física, você recolhe carnê-leão e emite cada recibo no Receita Saúde; com CNPJ, entra outro regime. Não vou cravar percentual aqui porque varia de caso para caso: peça ao contador um número para a sua situação e use esse. O guia do Receita Saúde para psicólogos explica a parte da pessoa física.
  4. Sessões que viram dinheiro. Horários da agenda, menos faltas que você não cobra, feriados, remarcações que não foram repostas, semanas de férias.
  5. A divisão. (custos + retirada) ÷ (1 − percentual de impostos) ÷ sessões pagas no mês.

Um exemplo com números ilustrativos

Os valores abaixo são hipotéticos, só para mostrar o mecanismo. Troque pelos seus.

ItemExemplo
Custos fixos (sala por turno, sistema, contador, supervisão, anuidade rateada)R$ 2.000 por mês
Retirada desejadaR$ 6.000 por mês
Reserva para impostos (percentual hipotético de 20%)precisa faturar R$ 10.000
Agenda: 20 horários por semana, 4 semanas80 horários
Perda com faltas não cobradas, feriados e remarcações (hipótese de 15%)68 sessões pagas
Valor por sessãocerca de R$ 147
Com um mês de férias por ano (faturar em 11 meses o que precisa para 12)cerca de R$ 160

Repare no que mais pesa: não é o aluguel. É a distância entre 80 horários e 68 sessões pagas. Doze sessões que somem todo mês por falta, feriado e remarcação que não volta. Por isso uma política de faltas clara, combinada no começo, mexe mais no seu resultado do que trocar de sala.

E repare no que a conta não mostra. Vinte sessões por semana parecem pouco até você somar evolução, supervisão, estudo, mensagem de paciente, cobrança, parte administrativa. Se escrever a evolução te toma dez minutos por atendimento, são mais de três horas por semana fora da agenda. Não vira dinheiro, mas ocupa a semana. Leve isso em conta antes de abrir horário até as 22h.

Resumindo: divida o que você precisa faturar pelas sessões que de fato são pagas. Se o resultado ficar muito acima do que você imagina cobrar, o problema pode estar no custo, na agenda ou nas faltas — e não só no valor.

O que mais mexe no valor da sessão

Além da conta, o valor da sessão de psicologia costuma variar com a cidade, o público, a modalidade (presencial ou online), o tipo de atendimento e a sua trajetória. Nenhum desses fatores tem regra oficial; são escolhas suas.

Cidade e público. O mesmo número que soa razoável numa capital pode ficar fora da realidade numa cidade pequena, e vice-versa. Conversar com colegas da região ajuda a calibrar, desde que a conversa seja sobre referência e não sobre combinar preço entre todo mundo.

Online x presencial. O atendimento online tira o custo da sala, mas não tira o resto: preparo, registro, supervisão, o seu tempo. Eu não baixaria o valor do online de forma automática. Se quiser diferenciar, faça a conta das duas modalidades separadas e veja se a diferença se justifica. Se você está começando no online, vale ler o guia de atendimento psicológico online.

Tipo de atendimento. Casal, família, avaliação e atendimento infantil envolvem preparo e contato com terceiros diferentes de uma sessão individual. A própria tabela separa esses procedimentos, com faixas distintas.

Convênio. Aqui quem define o valor é o contrato com a operadora, e as regras do plano entram no jogo. O raciocínio deste texto vale para o atendimento particular.

Valor social e sessão com valor reduzido: pode?

Pode cobrar menos de um paciente específico, considerando as condições dele, mas não pode usar o preço baixo como propaganda. São duas coisas diferentes, e a confusão entre elas é onde muita gente se complica.

O lado do “pode” vem do próprio art. 4º do Código, que manda considerar as condições do usuário. A cartilha de publicidade do CRP-MG (abril de 2026) diz que a psicóloga tem autonomia para estipular a remuneração considerando inclusive as condições socioeconômicas da pessoa, desde que garanta a qualidade do serviço, numa análise criteriosa e que não vise benefício próprio ou concorrência desleal.

O lado do “não pode” está no art. 20, alínea “d” (não usar o preço do serviço como forma de propaganda) e foi detalhado pela Nota Técnica CFP nº 1/2022, que orienta a não usar na divulgação termos como “preço social”, “atendimento social”, “desconto”, “pacote promocional” ou “valor acessível”, e diz que cupons e sorteios não são permitidos. A cartilha do CRP-MG inclui ainda qualquer referência à gratuidade, como “primeira consulta grátis”.

Então, como fazer na prática sem tropeçar?

Uma exceção que a Nota Técnica e a cartilha mencionam: divulgar convênios com instituições (universidades, empresas, clínicas) é permitido, e o CRP-MG entende possível a publicidade de acesso ampliado quando organizada por um coletivo, como uma clínica social, com proposta bem definida. Atendimento voluntário com finalidade de captar clientes, segundo a Nota Técnica, é inadequado.

Como e quando reajustar

O jeito menos desconfortável de reajustar o valor da sessão é deixar a regra combinada desde o início — por exemplo, uma revisão por ano, com aviso de 30 dias — e comunicar o novo valor em sessão, não por mensagem solta. Isso é sugestão de organização, não norma; o que o Código exige é que o valor seja comunicado antes.

Três observações, mais de bom senso do que de norma:

Onde o Psicoly ajuda (e onde não)

O Psicoly não define o seu preço nem cobra o paciente por você; ele registra o que foi combinado e mostra se a conta está fechando. Explicando melhor.

No financeiro dá para lançar cobrança por sessão e também as saídas (aluguel, supervisão, contador), e o painel mostra pacientes ativos, sessões da semana e faturamento. Depois de dois ou três meses usando, você consegue refazer a conta deste artigo com números reais em vez de hipóteses — inclusive quantas sessões de fato viraram dinheiro. Os recibos saem em PDF com o seu CRP no rodapé.

Agora, os limites, ditos com todas as letras: o Psicoly não tem pagamento online para o paciente nem cobrança automática por Pix ou cartão. Você recebe do jeito que já recebe e registra. E o recibo do Psicoly é um recibo comum; ele não substitui o Receita Saúde, que continua sendo emitido no app da Receita Federal.

Se quiser testar, o Plano Free é para sempre e não pede cartão; os sete primeiros dias são sem limite nenhum. Para autônomo, os planos pagos começam em R$ 44,90 por mês. Dá para criar a conta e lançar os custos do mês na mesma tarde. E se você ainda está montando o consultório, o passo a passo de como abrir consultório de psicologia ajuda a não esquecer nenhum custo na conta.

Agenda, prontuário sigiloso e financeiro num lugar só

O Psicoly tem Plano Free para sempre, e os 7 primeiros dias rodam sem limite nenhum.

Começar grátis → ✓ Sem cartão de crédito · ✓ Cancele quando quiser · ✓ Suporte humano por WhatsApp

Perguntas frequentes

Qual o valor mínimo de uma sessão de psicologia?

Não existe valor mínimo obrigatório. A tabela CFP/Fenapsi é uma referência de caráter orientativo; na versão com vigência em julho de 2026, publicada pela Fenapsi, a psicoterapia individual vai de R$ 235,34 a R$ 403,45, com média de R$ 340,74. Cobrar abaixo ou acima disso não é infração.

Psicólogo pode divulgar o valor da sessão no Instagram?

O Código de Ética (art. 20, alínea “d”) proíbe usar o preço como forma de propaganda, e a Nota Técnica CFP nº 1/2022 orienta a não usar termos como “preço social”, “desconto” ou “valor acessível”. O caminho recomendado é informar o valor à pessoa em conversa reservada, antes de começar o atendimento.

Posso cobrar menos de um paciente que não tem condição de pagar?

Pode. O art. 4º do Código de Ética manda considerar as condições do usuário ao fixar a remuneração, e a qualidade do atendimento tem que ser a mesma. O que não pode é anunciar esse valor menor como chamariz.

Sessão online deve custar menos que a presencial?

Não há regra sobre isso. O online tira o custo de sala, mas o trabalho clínico, o registro e a supervisão continuam iguais. Faça a conta das duas modalidades e decida se a diferença se justifica no seu caso.

Quanto um psicólogo recém-formado deve cobrar?

O tempo de formado não define um piso; a conta define. Some custos fixos, a retirada que você precisa e os impostos, e divida pelas sessões que você realmente recebe no mês. Use a tabela CFP/Fenapsi como régua para não aceitar propostas que nem cobrem o seu custo.

Dúvidas?